terça-feira, 10 de agosto de 2021

Sintaxe - Transitividade verbal / Verbos de ligação / Tipos de predicado: Brasil Escola

 Observe os verbos em destaque a seguir:


1 – Nossos pais viajaram.


2 – Nossos pais planejaram a viagem.


3 – Nossos pais gostaram da viagem.


É possível notar que a relação de sentido dos verbos das orações acima com os outros termos de suas respectivas orações é diferente. O sentido do verbo viajaram, por exemplo, não necessita de nenhum outro complemento, pois está contido no próprio verbo. Por outro lado, os verbos planejaram e gostaram necessitam de mais um termo para complementar seu sentido, ou seja, há uma relação de subordinação entre os verbos e os seus complementos.


Quando essa relação acontece sem a presença de preposição entre o verbo e seus complementos, o verbo é classificado como transitivo direto. Quando, nessa relação, há a presença da preposição entre o verbo e seus complementos, o verbo é classificado como transitivo indireto. Contudo, se o sentido do verbo não depender de nenhum complemento, então, o verbo será intransitivo.


Assim, em relação à transitividade verbal, os verbos podem ser: transitivos diretos (V.T.D.), transitivos indiretos (V.T.I.), transitivos diretos e indiretos (V.T.D.I.) ou intransitivos (V.I.).


Veja como identificar essa transitividade nas orações:


Verbo transitivo direto


Ele não derrubou meu livro.


Perceba que, ao desmembrar o verbo de seu complemento, o verbo permanece com um sentido incompleto, o que significa que existe a necessidade de complementar o seu sentido com outro termo, ou seja, seu sentido possui um movimento, um trânsito para outro termo. Observe:


Ele não derrubou...


Por esse movimento de sentido para outro termo, o verbo da oração acima é caracterizado como transitivo.


Agora, observe o tipo de pergunta que fazemos para saber se é necessário um complemento verbal:


Ele não derrubou (O quê?) meu livro.


Na construção dessa pergunta e da resposta, não há a presença de preposição, pois o movimento do verbo para o seu complemento é direto, ou seja, a transitividade é direta. Assim, o verbo derrubar é um V.T.D.


Observe outros exemplos:


Eu comprei uma bicicleta.


Eu comprei (O quê?) uma bicicleta.


Eles fizeram a lição.


Eles fizeram (O quê?) a lição.


Verbo transitivo indireto


Ela necessita de sapatos novos.


Perceba que, ao desmembrar os verbos de seus complementos, eles ficam com o sentido incompleto, mostrando a relação de subordinação entre esses dois termos da oração:


Ela necessita...


Por esse movimento do sentido para outro termo, esse verbo é também caracterizado como transitivo.


Agora, note a diferença da pergunta feita ao verbo para conseguirmos o complemento verbal:


Ela necessita (de quê?) de sapatos novos.


Veja que, nesse caso, a construção da pergunta e do complemento possui a presença da preposição de, caracterizando um movimento indireto entre o verbo e o seu complemento, ou seja, uma transitividade indireta. Assim, o verbo necessitar é um V.T.I.


Observe outros exemplos:


João gosta de Ana.


João gosta (de quem?) de Ana.


Eu acredito na bondade humana.


Eu acredito (em quê?) na bondade humana.


Verbo transitivo direto e indireto


Existem alguns verbos que possuem bitransitividade, ou seja, a relação de subordinação com seus complementos ocorre de forma direta e indireta ao mesmo tempo. Veja:


Minha mãe deu um brinquedo ao meu irmão.


Perceba que o verbo deu necessita de duas perguntas para que tenhamos o seu complemento:


Minha mãe deu.. (O quê?) um brinquedo ao meu irmão.

(a quem?)                        


Essa primeira pergunta, sem a presença de preposição, caracteriza a transitividade direta; e a segunda pergunta, com a presença da preposição a, caracteriza a transitividade indireta.


Observe outro exemplo:


Pedro agradeceu (O quê?) o adiantamento ao diretor.

(a quem?)                 


Verbo intransitivo


Finalmente, vamos analisar a atitude de verbos que contêm o sentido completo, ou seja, não possuem a necessidade de complementos verbais. Veja:


Meu pai voltou.


Eu me casei.


A criança caiu.


Note que esses verbos possuem sentido completo e não necessitam de nenhum trânsito para um outro termo da oração, ou seja, são verbos intransitivos. Estes verbos podem ter algum termo que amplie seu sentido, como lugar, tempo, modo, causa, finalidade, característica do sujeito, etc.

Em meio ao aprendizado dos fatos linguísticos conferidos pela gramática, comumente deparamos com uma exposição um tanto quanto estereotipada por parte dos educadores. E em consequência deste procedimento, obtém-se nada menos que a famosa “decoreba” por parte dos educandos, uma vez que estes apenas internalizam uma dada informação, tornando-se incapazes de analisar um termo visto sob uma ótica contextual. 


Uma situação que bem ilustra a presente afirmativa é simples, simples. Bastando para isso que recorramos ao caso do sujeito e predicado. “O sujeito vem antes do predicado”. 

Ora, será mesmo que não poderá vir antes? 


Atormentada a aluna estava. 

E aí, como explicar a ocorrência? 


Servimo-nos destes pressupostos para evidenciarmos de forma plena o tema em questão, o qual também se adéqua a essa mesma situação. Muitas vezes temos a noção de que os verbos de ligação são apenas representados por “ser, estar, permanecer, ficar”. Mas, afinal, por que são assim denominados? 


Diante dessa perspectiva, engajar-nos-emos rumo a mais uma descoberta, tendo como suporte o exemplo supracitado: 


A aluna estava atormentada. Analisando-a, levando-se em consideração suas características sintáticas, obteríamos: 


A aluna – sujeito simples

estava – verbo estar (de ligação) 

atormentada – predicativo do sujeito.


Esses dois últimos termos representam o ponto-chave de nossa discussão, pois o referido verbo (estar) ocupou-se da função de ligar o sujeito a uma qualidade (atormentada) – motivo de ele assim se caracterizar. Percebeu como se torna fácil ao optarmos por uma análise mais aprofundada em detrimento a meros superficialismos? 


Pois bem, ainda há outros pormenores aos quais devemos uma merecida atenção – o fato de os verbos de ligação exprimirem distintas características em relação ao sujeito. Vejamo-las, portanto: 


* Estado permanente – representado pelos verbos ser, viver. 

Exemplos: 


Carlos é estudioso. (ele possui sempre essa característica)

Pedro vive alegre. (idem à prerrogativa anterior)


* Estado transitório – verbos estar, andar, achar-se, encontrar-se. 


Ex: Minha melhor amiga encontra-se doente. (constatamos que se trata de algo momentâneo, mas que irá passar) 


* Estado mutatório – verbos ficar, virar, tornar-se, fazer-se. 


Ex: Mariana ficou bonita, sem ao menos percebermos. (literalmente, identificamos uma mudança advinda do próprio sujeito) 


* Estado de continuidade – verbos continuar, permanecer. 


Ex: Fabiana continua eufórica. (aqui, notamos que se trata de algo ininterrupto) 


* Estado aparente – verbo parecer. 


Você parece preocupada. (revela-se pela impressão que temos do próprio sujeito) 


Observações passíveis de nota: 


Como dito anteriormente, a análise contextual é de suma importância para que possamos identificar de fato qual a posição ocupada por um determinado verbo, pois, dependendo do enunciado em que se encontra inserido, pode desempenhar outra posição, diferente da convencional. Assim, temos: 


* O verbo “ser” pode também ser intransitivo quando seu significado se equivaler a “realizar-se”, “ocorrer”, acompanhado sempre de um adjunto adverbial de tempo ou lugar. 


Ex: A solenidade de formatura será no Central Park. 

Sujeito |verbo intransitivo | adjunto adverbial de lugar



* Os verbos, ser, estar, permanecer, ficar e continuar classificar-se-ão como intransitivos quando indicarem posição do sujeito em um dado lugar. 


Ex: Os candidatos permanecem na sala de provas.

Sujeito | verbo intransitivo | adjunto adverbial de lugar 



* Em determinados contextos linguísticos, haverá a possibilidade de os verbos transitivos e intransitivos ocuparem o posto de verbo de ligação. 


Ex: Aqui a menina vira um anjo.


aqui - adjunto adverbial de lugar 

a menina – sujeito

vira – verbo transitivo direto

um anjo – objeto direto


* O predicativo do sujeito também poderá ocorrer com verbos intransitivos ou transitivos. 


Ex: A aluna, atormentada, caminhava pela escola. 

Sujeito |predicativo | verbo intransitivo

A sintaxe é a parte da gramática que estuda a organização da oração. Para facilitar esse estudo, a oração (todo enunciado que possui verbo) é dividida em termos, que se classificam em: essenciais (sujeito e predicado), integrantes (objeto direto, objeto indireto, complemento nominal, agente da passiva, predicativo do sujeito e predicativo do objeto), acessórios (adjunto adnominal, adjunto adverbial e aposto) e independente (vocativo).


Os termos essenciais, sujeito e predicado, recebem essa denominação por constituírem a essência da oração, pois representam a base dos sintagmas (parte da oração). O sujeito compõe o sintagma nominal, enquanto o predicado, o sintagma verbal.


O predicado é a parte da oração em que há verbo, portanto, não existe predicado que não possua verbo ou locução verbal. O predicado é essencial para a oração, pois é esse termo que traz todas as informações sobre o sujeito. Então, para facilitar seu reconhecimento, é preciso detectar quem é o sujeito ou o vocativo, caso apareça, tudo o que restar é o predicado. No caso das orações sem sujeito, o que deve ser considerado é o processo verbal em si.


A classificação do predicado está relacionada ao tipo de verbo que o constitui, portanto, se o verbo for significativo ou nocional (verbos transitivos e intransitivos), ele será o núcleo (parte mais importante) da oração. Logo, o predicado é classificado como verbal, pois contém como parte principal o verbo. Entretanto, quando é constituído por verbo de ligação, cuja função não é ser núcleo, e sim “ponte” entre o sujeito e o predicativo do sujeito, o predicado é classificado como nominal, uma vez que quem é o núcleo desse predicado não é o verbo, e sim o nome (substantivo, adjetivo, pronome, numeral ou advérbio), ou seja, o predicativo do sujeito.


Acompanhe os exemplos:


I. O amor é benigno.


II. O livro está rasgado.


III. O ônibus quebrou na Marginal Botafogo.


IV. Os vândalos quebram os bancos do estádio Serra Dourada.


Como dito anteriormente, para detectar o tipo de predicado, é essencial que se classifique o verbo que o compõe. Analisando os exemplos, percebe-se que nem todos os verbos indicam uma ação ou fenômeno meteorológico, logo não são considerados significativos, pois alguns indicam apenas o estado do sujeito, sendo, portanto, de ligação. Voltando aos exemplos, vamos classificar os predicados?


Não pare agora... Tem mais depois da publicidade ;)


I. Predicado: é benigno. (Predicado Nominal)


II. Predicado: está rasgado. (Predicado Nominal)


III. Predicado: quebrou na Marginal Botafogo. (Predicado Verbal)


IV. Predicado: quebraram os bancos do estádio Serra Dourada. (Predicado Verbal)


Os exemplos I e II são classificados como predicado nominal, pois possuem verbo de ligação e a parte mais importante, ou seja, o núcleo, é o predicativo do sujeito, respectivamente representado pelos adjetivos: benigno e rasgado. Já os exemplos III e IV possuem verbos nocionais ou significativos. Perceba que a informação mais importante do predicado é trazida pelo verbo. É importante destacar, ainda, que embora seja o mesmo verbo (quebrar) em contextos diferentes, ele possui predicações diferentes, sendo intransitivo no exemplo III e transitivo direto no IV.


Existem predicados que, além de conter um verbo significativo ou nocional, possuem também um predicativo que pode se relacionar ao sujeito, classificando-se como predicativo do sujeito, ou pode se relacionar ao complemento verbal (objeto direto ou indireto, este último apenas com o verbo chamar no sentido de 'nomear'), sendo chamado de predicativo do objeto.


Quando isso acontece, ou seja, quando no predicado há dois núcleos, um verbal e um nominal, o predicado é classificado como verbo-nominal. Veja os exemplos:


I. Os ministros do Supremo Tribunal declararam o réu inocente.


II. João voltou satisfeito.


III. O menino quebrou a cadeira amarela.


Em todos os exemplos, percebe-se a presença de dois núcleos, um verbal e um nominal, portanto, todos os predicados acima são classificados como verbo-nominal.


Sintetizando:


Predicado verbal: possui como núcleo um verbo nocional;


Predicado nominal: possui como núcleo o predicativo do sujeito;


Predicado verbo-nominal: apresenta dois núcleos, um nominal (predicativo do sujeito ou do objeto) e um verbal (verbo transitivo ou intransitivo).

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Toda Matéria - período composto por coordenação

 As orações coordenadas são orações independentes, ou seja, não há relação sintática entre elas. Elas são classificadas em dois tipos: oraçõ...